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Como a queda das ações da Petrobras afeta o nosso bolso, mesmo sem sermos acionistas?

O Brasil inteiro está acompanhando a alta do custo do combustível, com a gasolina chegando a R$ 5,26 o litro, e a queda de cerca de 20% das ações da Petrobrás. Mas, há quem ainda não entendeu o que está acontecendo e como isso começou [tudo bem, vamos te ajudar com isso]. Para começar, a Petrobrás é uma empresa de capital misto, onde parte pertence ao Estado e parte ao capital privado, tendo a presença de acionistas com mais e menos participação.

Até 2016, a política de preços de combustível era definida pelo seu sócio majoritário: o Estado. De 2016 para cá, a política de cobrança dentro da empresa mudou. A Petrobrás assumiu o controle da precificação e passou a repassar diariamente o preço dos combustíveis, baseado na variação dos barris de petróleo internacionais.

O problema é que o petróleo teve uma disparada recente, causada principalmente pela quebra de acordo entre os Estados Unidos e o Irã, e pela crise no Oriente Médio e na Venezuela grandes produtores de petróleo [lembrando que boa parte do petróleo se encontra no Oriente Médio], e isso fez com que o preço dos barris disparasse. Para agravar ainda mais a situação, o dólar também sofreu aumentos significativos neste mesmo período, o que encareceu ainda mais o preço dos combustíveis.

 

COMO ISSO IMPACTA NA POPULAÇÃO

 

ACIONISTAS DA PETROBRÁS

O acionista quer que a empresa tenha lucro, para assim ganhar mais com a alta das ações. Mas, quando a Petrobrás decide segurar o preço do combustível para agradar o seu sócio majoritário, o acionista minoritário se vê num conflito de interesses – uma vez que ele almeja lucros e o majoritário demonstra outros interesses.

Prova disso foi o anúncio do presidente da empresa, Pedro Parente, indicando a redução de 10% no preço do diesel nas refinarias por 15 dias. Esse comunicado vai contra os interesses dos acionistas, que optaram por abandonar as ações da empresa gerando uma desvalorização maior ainda.

 

PARA OS NÃO ACIONISTAS

Índice de inflação de preços – O aumento de preço do combustível gera uma reação em cadeia, que impacta na inflação e isso chega ao consumidor final. O aumento eventual da inflação hoje não é um problema, mas potencialmente a longo prazo. Por exemplo, com o aumento do combustível muitas indústrias que utilizam caminhões para distribuir seus produtos, irão encarecer o frete e repassar o valor aos consumidores para assim custear esse valor.

Contas públicas – A greve fez com que o governo tomasse uma atitude para resolver o problema, seja fazendo uma redução de preço – o que gerará menos lucro para os acionistas da empresa e consequentemente menos dividendos – ou por meio da isenção de impostos sobre a gasolina. Neste segundo caso, a arrecadação fiscal será menor, mas as despesas e os custos não diminuem causando uma dívida maior e impactando na credibilidade do país.

 

CONSUMIDOR

Diretamente – O preço do petróleo sobe, a Petrobrás repassa os preços para as distribuidoras, elas repassam para bomba e a gasolina sobe. Esse ajuste de preço impacta no orçamento da família, que se ajusta para abastecer menos o veículo, economizando em outros setores do orçamento, ou que começa a fazer mais dias de rodízio para poupar gasolina.

Indiretamente – O preço do combustível sobe para todo mundo, inclusive para empresa que utiliza o custo do combustível na sua logística. Com isso as empresas diminuem o seu lucro ou embutem o custo do combustível no preço do seu produto ou serviço, e isso chega ao consumidor final.

 

FUNDOS DE INVESTIMENTO

Diretamente – As quedas nas ações influenciam em quem tem ações da Petrobrás dentro do fundo ou como ativo dentro da carteira de investimentos. Outra forma é para os fundos que replicam o índice Ibovespa, pois as ações da Petrobrás representam mais que 10% da composição do índice.

Indiretamente – As oscilações dos preços de combustíveis impactam no aumento de custos das companhias, diminuindo as margens de lucros. Consequentemente, as ações dessas empresas se desvalorizam. Outro impacto é por conta das paralisações, que fazem com que o abastecimento seja interrompido, gerando um prejuízo em cadeia.

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